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Cristina Branco e a universalidade do fado que não esquece as raízes (vídeo) Destaque

Cristina Branco e a universalidade do fado que não esquece as raízes (vídeo)

Antes de pisar os palcos nacionais, Cristina Branco está em digressão pela Bélgica, com sete concertos para apresentar o seu novo trabalho discográfico. Lançado a 25 de Fevereiro em Portugal, “Alegria” inclui dez originais e três temas compostos por Sérgio Godinho, Chico Buarque e Joni Mitchell.

A fadista, natural de Almeirim, revelou ao NCF que a tournée pela Bélgica está a ser muito positiva. “Sendo o princípio de um novo tour, com repertório novo, é muito estimulante, porque experimentamos coisas novas e requer uma concentração (se é que é possível!), ainda maior.”

A adesão do público belga, essa, tem sido “entusiástica”, talvez por “não explorarmos em demasia o fado”. “Há muitas sonoridades que se podem associar, que se cruzam na nossa própria linguagem e que abrem novos horizontes a quem nos ouve. Isso desenvolve o interesse do público que é estranho à língua e se liga de imediato à musicalidade em detrimento da palavra”, acrescenta.

Quando sobe ao palco para dar voz aos temas de “Alegria”, Cristina sente que o fado continua a ser um elo de ligação entre os portugueses. “As pessoas procuram as suas raízes, mesmo que sejam mitos e, assim, apaziguam a falta da família e daquilo que consideraram um dia, a sua fortaleza, a sua casa.”

Face à “gigantesca onda de nova emigração”, haverá mudanças naturais. “Esta nova vaga de emigrantes é esclarecida, culturalmente educada e com outros horizontes, muito diferente daquela que chegou aqui há 40 anos atrás. Logo, o ‘fado’ como nós o conhecíamos e evocávamos diluir-se-á num fado não necessariamente tão fechado dentro de uma temática circular da saudade, amor/traição ou pátria. Será mais universalista, respeitando as raízes. Acho que a grande revolução se dará pela mensagem escrita/falada”, considera.

No dia 30, Cristina Branco actua no La Roma, prometendo uma mescla de temas que, necessariamente, abarca “uma já longa história (de 13 discos), focada no novo disco”. Para a fadista, “Alegria” contém várias personagens que falam de si, que se desnudam num espelho que é o confronto com a realidade, com o outro, que pode ser o público. “Eu contarei um pouco da história, mas claro, aqui pesará o envolvimento melódico com quem nos escuta.”

A agenda preenchida deixa pouco tempo para distracções, ainda assim Cristina Branco gosta de captar o que vê pela objectiva da câmara fotográfica. “Toda a Bélgica é deliciosamente fotografável! E gosto de me perder, que é quando se encontram as coisas mais interessantes nas cidades.” A gastronomia belga não lhe conquista grandes simpatias, mas a fadista vinga-se “nas copiosas saladas, que por cá são muito imaginativas”.

Depois das passagens pela Bélgica e pela Noruega, Cristina Branco regressa a Portugal para apresentar “Alegria”. No 5 de Abril, actua no São Luiz Teatro Municipal, em Lisboa, no dia seguinte, será a vez do Cine-Teatro da Casa da Cultura de Seia e a 7 de Abril pisará o palco da Casa da Música, no Porto.

Na segunda quinzena de Abril, a fadista voltará a cruzar a fronteira para mais uma dezena de concertos na Holanda e, em Maio, tem duas actuações em salas francesas. “Está já previsto um novo período de concertos na Bélgica para Fevereiro de 2014, com oito espectáculos já confirmados”, avança Cristina Branco.

Patrícia Posse

Modificado sexta-feira, 31 janeiro 2014 18:31
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