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Redução de voos e situação sócio económica está afastar luso descendentes das suas raízes Destaque

Redução de voos e situação sócio económica está afastar luso descendentes das suas raízes

A situação sócio económica da Venezuela e as dificuldades em conseguir voos para Portugal estão a afastar os luso descendentes da vida comunitária, associativa e das ruas raízes, disse hoje a presidente da Associação da Mulher Migrante Luso-venezuelana (AMMLV).

"A situação sócio económica está a afetar muitas famílias que têm demasiados problemas para resolver (...) Antes os jovens podiam ir à terra dos pais uma vez ao ano, mas agora, com os problemas das companhias aéreas, pensam que cada vez irão menos ou não irão a Portugal", disse.

Milú de Almeida, que também é conselheira das comunidades portuguesas falava , em Caracas, à margem de uma conferência de imprensa sobre os preparativos para o II Congresso da Mulher Portuguesa na Venezuela, que terá lugar a 9 de novembro, subordinado ao tema "A Portugalidade na Venezuela".

"Os jovens estão inclusive a questionar-se sobre para quê aprender a falar português ou pertencer a um grupo folclórico, porque começam a pensar que se não vão poder viajar, vão ter que fazer vida aqui (Venezuela) e conviver com a comunidade daqui", disse.

Em 2003, a Venezuela adotou um apertado sistema de controlo cambial que impede a livre obtenção de moeda estrangeira no país e desde então as companhias aéreas passaram a precisar de uma autorização específica para poderem repatriar os capitais gerados pelas suas operações, correspondentes à venda de bilhetes de avião.

A presidente da AMMLV, chama a atenção que a comunidade portuguesa e luso venezuelana não são só as quase cinco mil famílias que frequentam o Centro Português de Caracas, de Ciudad Guyana ou ao Centro Social Madeirense de Valência.

"A nossa comunidade aqui, portuguesa e luso-descendente, é de um milhão e tanto e tem sérias necessidades e dificuldades. Temos de arranjar uma maneira de atrair a juventude, de fazer-lhes ver que os tempos mudam, que já nos vimos excluídos e depois voltámos e não deixar que se afastem sem fazer nada por eles", frisou.

Desde 2012 que as companhias aéreas internacionais estão a ter dificuldades para conseguir as autorizações para repatriar capitais gerados pelas operações, que segundo a IATA acumula uma dívida de 3.500 milhões de dólares (cerca de 2.770 milhões de euros).

Estas dificuldades levaram as empresas a reduzir 49% dos lugares disponíveis e das frequências de voos.

A situação afeta a transportadora aérea portuguesa TAP e a pelo menos outras 13 transportadoras internacionais.

A 30 de setembro, numa reunião com vários ministros transmitida pela televisão, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou ao Governo que encontrasse uma solução definitiva, "de imediato e empresa a empresa", para o diferendo sobre o repatriamento de capitais.

Maduro também acusou as companhias aéreas de especularem com os preços dos bilhetes "para justificar [a obtenção de] dólares e retirá-los do país, chegando à absurda imposição de preços, muito, mas muito superiores aos de mercados similares de países vizinhos".

Para a Associação de Linhas Aéreas da Venezuela, as afirmações de Nicolás Maduro abriram "expectativas que podem ser positivas", mas a imprensa venezuelana tem indicado que, de momento, não houve avanços sobre este assunto.

As dificuldades para repatriar capitais levaram a Air Canada a suspender os voos para Caracas, enquanto a American Airlines, a United Airlines e a Lufthansa reduziram significativamente as suas operações na Venezuela.

Em 30 de julho, o Governo venezuelano emitiu uma autorização especial para as companhias aéreas Iberia e Delta Airlines poderem repatriar em dólares capitais gerados pelas suas operações.

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